quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Sumiço

não adianta me julgar
eu já sou meu carrasco
sem medo de guilhotinar
minha cabeça tão presa
a um corpo tão inerte.
libertar os seres voadores,
os revolucionários de mesa.
sou minha viúva feliz
jogando ao túmulo flores
e cigarros baratos.
sou o fim do desespero
claro, dos meus atos.
camisa xadrez desabotoada.
sou a cor desbotada
de mais uma despedida.
a saudade não se altera.
sou o soluço.
sou o sumiço.
era.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Ode ao Ódio

Penso que odiar não é bem
como a sensação de desgostar.
Tenso mesmo é me explicar
se o ódio é tanto quanto mau
ou se vai muito bem, obrigado.

Odiar me é como respirar,
suspiros seriam como desprezar.
A vida é a falta do que fazer,
Ignorar a dor é como se entreter.
Ironia dever ser amante do ódio:
Todos odeiam odiar, mas esquecem
que ao amar, estão sempre à deriva
da tão odiada atmosfera do ódio.
amar me é como falta de ar...

Falta uma cabeça no parafuso.
Um velhologismo para recriar:
Quanto tempo falta para odeiamar?
Esqueça então tudo que que pareça
ecoar pela cabeça pouco confuso.

Mas você há de se questionar,
ao ler tanto desse rancor:
"Que porra é essa!?"
Melhor é amar o ódio
ou odiar o amor?
Está enganado
por apenas perguntar.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

analgésico

me conta uma coisa,
meu amor,
será que você poderia,
por favor,
dar um tempo pra minha
cabeça e sua dor?

analgésico.
palavra fantástica!
já começa pelos fundos!
paraplégico,
como é não sentir dor?
ou você sente?
melhor: e não sentir amor?
um gêmeo já me disse
que o peso que carregamos
é o amor.
sei que, enquanto caminhamos,
por conta do peso,
sentimos dor.

Caetano pergunta compulsivamente:
pra que rimar amor e dor?

fim.
p.s. começo
aquela que será
a última e sofrida
estrofe pelos fundos.
como um analgésico.
e mastigo.

Quem sou eu