quarta-feira, 23 de julho de 2008

Enquanto transpirava ácido, impregnava todo o cômodo (durante a noite toda) com psicodelia. Pensou em tentar o vôo. Desistiu. Sentia ser a própria alucinação do Mundo. E sentia ser um sonífero para um deus que já dorme. Então, entoando mantras sabia que deveria sentir o ar puro enforcá-lo. Mas não enquanto ser -nem um ser é insignificante em sua própria existência- mas enquanto pensamento. Porque pensar é como derreter o Mundo. Deve ter pensado nisso enquanto sonhava... Entrando, assim, em guerra com suas idéias. Noutro dia, sentado sobre os tentáculos petrificados que brotam da terra, pode ter quase certeza que está conectado. Não se trata de conforto ou de confronto. Mas de sentir-se acariciado pelo vento. Como se Deus fosse o carinho do vento. Não o "Carinha do Céu". O carinha do céu é o Sol, que agora não o vê, ou sente, mas aceita a sua existência.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

dormente

bom dia, eu acordo cedo e exijo me apresentar,
embora você sempre tenha me conhecido.
eu sou um dia excessivamente nítido.
inexisto em três dimensões mas,
insistentemente ainda sou nomeado.
sou simplista e simplesmente existo.
não sou circular, sou circulável.
sou operante e comandante.
eu fui o atraso e serei adiantado, adiante.
não sou divindade, mas uma espécie de santo.
não tenho carteira de motorista, nem identidade.
sou a certidão de nascimento, sou a certeza infinita.
sou um sacerdote de sacrifícios.
sou tudo que é absurdamente notável, mas discreto.
calculista e dominante. sou a ordem e o progresso.
sou a paz bélica e sou a navalha do malandro.
sou o abrigo da cor e, silenciosamente,
estou dormente e adormecido.

Quem sou eu