sábado, 27 de junho de 2009

ironicamente sorriu para o desenho que fez.
desenhou morte e desenhou flores. distração.
perdeu horas rabiscando, rasgando, pensando.
nunca muito interessado no desenho. atenção:
é intangível um sorriso sincero, sem máscaras.
incomodava que não soubesse desenhar sorrisos.
fosse este o motivo por não sorrir mais?
uma chamada não atendida e o que é a vida?
ainda decorado vários números que não liga.
desenhando vários personagens que, sei lá,
chamaria de amigos. e os trataria igualmente.
rabiscando usou de várias cores, irracionalmente.
sua mente já desbotou e agora é monocromática.
bactérias e genocídios, formas e deformações.
televisores caindo dos céus e buquês de flores.
nenhum dos amigos tem olho, apesar de assistirem.
bando de urubus carniceiros e um corpo estatelado.
não devia passar tanto tempo desenhando e escrevendo.
cada vez mais, sua mente vai escurecendo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

começo.

acabou o esperar por você.
espero que acabe o sofrer.
acabou um longo reinado.
e pensar em tudo que não foi
é pensar só que acabou.
a saudade não acaba,
parece que não se esgotou
de tentar acabar comigo.
fique com os meus retratos
e me perdoe os maus tratos.
lembre-se de levar consigo
o que eu te bem fiz.
as pessoas acabam
por acabar com outras.
eu bem que te quis.
acabei descobrindo que você não.
acabou a falta de solução.
acabei meio infeliz.
é preciso acabar um dia
pra começar uma noite,
acabar e nascer outro dia.
e isso eu quero assistir.
ir por aí, andar até me encontrar.
já dizia o mestre Cartola.
nesses dias tristes, a passar,
nem minha cabeça cantarola...
acabei de sair,
mas já começo a andar.

Quem sou eu