quinta-feira, 12 de março de 2009

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uma forte dor de cabeça
em um longo bocejo....
um globo ocular que aqueça
e queime tudo que eu vejo.

sábado, 7 de março de 2009

longe

entretido no emaranhado de confusões.
um colapso no compasso da melodia.
remar nos revoltos mares das desilusões.
caminhar sozinho só pra pensar no dia.
pertencer ao longo percurso tomado.
atalhos de retalhos de corpos em afasia.
tá chegando? infância reprimida.
tá faltando? a pessoa deprimida.
o eterno descansar da ciência de nunca chegar.
diferente do kamikaze japonês adolescente:
"viver é mais pesado que uma montanha,
morrer é mais leve que uma pluma."
cultura não pode ser qualquer uma.
e todo mundo tem o seu momento.
foge do alcance.
longe não é distância, é sofrimento.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

sobre a festa da carne,
sobra o cansaço e dor.
dor dos olhos à carne.
sobre a mesa, a tevê.
sobrando na Sapucaí
sobre-humanos sambam.
sambam até cair
sobre o carnaval,
sobre o túmulo do sambista,
sobre o salto da passista,
sobre o mal.
sobra no fim da festa
confetes, serpentinas,
lixo, suor, lágrimas...
e tudo o que resta.
o desengano carnavalesco
o delírio, o sufoco e o desejo.
sobre a terça-feira,
cobre um céu cinza.
sobre a quarta-feira,
cai a chuva fina e cinza.
papo seu já tá de manhã.
sobre hoje, anteontem
e sabe-se-lá do amanhã.
sobram máscaras
sobre as pessoas.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

emergiu do papel como se de lá pertencesse:
a tinta preta borbulhando em linhas tortuosas.
gostosas sensações perpassando as retinas.
fugiria do olhar tudo que alguém percebesse.

qual é a média populacional daqui de dentro?
são tantos os que querem e tantos que temem.
e de onde vem todo esse vento?
são formas que formam pessoas e pessoas erram.
o que desliga e liga cada um dos pensamentos?

é impressionante como sempre tenho o que pensar.
mas nem sempre tenho o que dizer.
quer dizer, dizer pra fora.
aqui dentro tem sempre prosa.

mas eu sinto falta de conversar com você,
que entende a maioria dos pensamentos.
e, às vezes, solta uma risada gostosa
de alguma piada ou outra coisa engraçada.
faz falta. na minha população interna, você falta.

e a tinta escorre desorientada.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

saudade

arrumar mala, despedir, abraçar e ir.
acenar através do vidro e fingir sorrir.
aviões sobrevoando minha cabeça
como mosquitos que te mordem,
ou que te trazem, ou levam.
uma lanterna no escuro cessa
de procurar você que não está.
acordar, abrir o olho e vazio.
encher um copo d'água e não dividir.
almoçar, sem gosto, com a mesa só.
fumar cigarros e fumaça sem graça.
aqui dentro tudo aperta e tudo dissolve.
o céu derrete e escorre pelo rosto.
o zumbido do silêncio sem gargalhadas.
o buraco que só aumenta no peito.
eu não faço parte de nada
e parte de mim partiu.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

o apodrecer eterno da natureza e a desconstrução fatal da beleza.

janela de madeira e alguém para abri-la, jorrando luz na casa velha.
antigos móveis queimados, ferro enferrujado e cheiro de podre.
o cinza que tudo cobre, o lunático na casa e a luz invasora, refletora.
é o recado que não foi dado e o sussuro que não foi ouvido.
o pote cheio de nada e vários insetos morrendo no chão de rugidos.
o lar desabrigado em si mesmo, perdeu o telhado e a cor.
uma casa que já se encheu de dor e de amor
hoje é cheia de luz, pó e um novo velho morador.
barba longa e branca e um rosto deformado pela vida.
de calça marrom e camisa branca encardida e sapatos.
sentado numa cadeira de balanço rodeada por ratos.
a casa não é grande, não é segura, não é longe.
abriga sonhos e sonhadores, medos e medrosos.
a chuva cai mansa lá fora, e goteira não se esconde.
a casa molhada parece que chora.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

um brinde de chorume

ruídos de maquinaria ao fundo.
ciclo reciclador de tudo que é reciclável.
plástico, alumínio, papel e tudo.
carregados por um agente social
-diríamos indispensável-
negligenciado como lixo.
imagina viver como o bicho
("o bicho, meu deus, era um homem!")
se todos os que hoje catam lixo
simplesmente somem.
viver no lixo, você não iria.
o lixo é luxoso demais para os da sua laia.
viver como um bicho, eu riria.
fugiria do laboratório como um rato cobaia!
aliás, quem foi que disse que a vida
era uma piada sem graça?
esse aí devia saber o tamanho da desgraça.
pilha de lixo como pilha de gente
para o primeiro genocídio do século XXI!
aê, um brinde de champanhe roubado!
puta que pariu, você não ouviu falar de Darfur?
aquela região no Sudão, África? desinformado.
pois é, morre muita gente lá.
e enfim, negligenciados os mortos de Darfur,
negligenciados os catadores de lixo do mundo,
pra onde vai toda a nossa sujeira?

Quem sou eu