o corpo jogado na areia da praia fica quase amorfo, sob a luz da lua.
a garota do vestido branco quase nem repara, ao passar pelo corpo.
mas é levada pela curiosidade a tentar entender o que é aquilo.
o corpo é reconhecido, mas está tomado de raiva, irreconhecível.
a garota do vestido branco quase se machuca, num diálogo absurdo.
a garota foge do corpo amorfo e da areia. em revolta.
mas como a areia está grudada no seu corpo,
a imagem do corpo não lhe sai da cabeça. e ela volta.
outros tentaram acalmar a amorfa raiva do corpo.
e ele continua jogado a si mesmo, na areia. desanimado.
o reencontro etílico da garota com o corpo é conturbado.
como um jogo monótono e monólogo de cartas, como paciência.
e ela perde a paciência dela enquanto ele perde a sua raiva.
um coringa, quando se trata de quem você realmente gosta.
sincronia anacrônica. foi tomado o veneno dos eventos acidentais.
e tudo que o corpo precisava era de tempo, pra decompor a raiva.
o tempo é o melhor antídoto. e o pior veneno é ter que esperar.
a garota do vestido branco, com o seu tempo, se recupera.
e acaba por reconhecer no corpo, algo que nem ele conhecia.
ou nem conhece. mas o tempo que lhes resta é escasso.
a garota do vestido branco é tudo que ele precisava, ele sabia.
ele não precisava mais de baralho, nem de tempo, nem de espaço.
ao corpo, restava ignorar um erro.
o que não é problema, pra quem já errou.
aos dois, restava serem humanos.
escritos:
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
de tudo que eu não disse pra você
e de tudo que eu não sei o porquê.
conversa de conversível pé no chão.
de todos os quilômetros que viajamos.
tudo que é abraço e toda discussão.
de tudo que eu não disse pra você
algo me corrói mais.
mas eu acho que sei o porquê.
por que eu não disse nem pra mim.
e você já deve saber das coisas,
você já veio e voltou, né? eu só vim.
e você tem medo da imortalidade
fatal que tem a saudade.
mas eu não vejo um bom motivo
para não tentarmos matá-la.
cada vez com doses maiores vivo,
e ela morre.
doses de você. para atacá-la.
e de tudo que eu não disse, sem porquê.
é um desenho rabiscado
e é um sussurro num quarto vazio.
é um livro inacabado
é um portão de desembarque
e um de embarque, vazio.
mentira, não sei o que é.
de tudo que eu disse pra você,
não leve ao pé da letra.
porque de tudo que eu não disse pra você,
é por que ainda vou dizer.
e de tudo que eu não sei o porquê.
conversa de conversível pé no chão.
de todos os quilômetros que viajamos.
tudo que é abraço e toda discussão.
de tudo que eu não disse pra você
algo me corrói mais.
mas eu acho que sei o porquê.
por que eu não disse nem pra mim.
e você já deve saber das coisas,
você já veio e voltou, né? eu só vim.
e você tem medo da imortalidade
fatal que tem a saudade.
mas eu não vejo um bom motivo
para não tentarmos matá-la.
cada vez com doses maiores vivo,
e ela morre.
doses de você. para atacá-la.
e de tudo que eu não disse, sem porquê.
é um desenho rabiscado
e é um sussurro num quarto vazio.
é um livro inacabado
é um portão de desembarque
e um de embarque, vazio.
mentira, não sei o que é.
de tudo que eu disse pra você,
não leve ao pé da letra.
porque de tudo que eu não disse pra você,
é por que ainda vou dizer.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
"é inexplicável como alguém pode gostar de outra pessoa..."
ou foi algo do tipo, que você falou.
mas então vou tentar explicar. pra te confundir:
eu gosto do gosto que seu gosto tem.
e gosto de longe e gosto de perto.
gosto de conversa e gosto deitado.
gosto de um caminho incerto.
gosto da bahia e gosto de mar.
gosto do seu grito animado.
gosto do abraço e gosto de sonhar.
gosto do seu olhar desconfiado.
e gosto do seu olho apertado,
pelo sorriso espetacular.
gosto de esperar você maquear-se.
gosto da vergonha.
e gosto de maconha.
gosto do caminhar rápido.
gosto da cerveja e da cachaça.
gosto do gosto de acarajé.
gosto de andar de mão dada.
gosto de cada um dos cafés.
gosto de não saber...
gosto de te ver.
gosto de você.
ou foi algo do tipo, que você falou.
mas então vou tentar explicar. pra te confundir:
eu gosto do gosto que seu gosto tem.
e gosto de longe e gosto de perto.
gosto de conversa e gosto deitado.
gosto de um caminho incerto.
gosto da bahia e gosto de mar.
gosto do seu grito animado.
gosto do abraço e gosto de sonhar.
gosto do seu olhar desconfiado.
e gosto do seu olho apertado,
pelo sorriso espetacular.
gosto de esperar você maquear-se.
gosto da vergonha.
e gosto de maconha.
gosto do caminhar rápido.
gosto da cerveja e da cachaça.
gosto do gosto de acarajé.
gosto de andar de mão dada.
gosto de cada um dos cafés.
gosto de não saber...
gosto de te ver.
gosto de você.
domingo, 17 de agosto de 2008
arte é a palavra que eu mais ouço.
devo escutar em uma média de 42,7 vezes por dia.
ou pelo menos leio.
e como continuar gostando tanto?
é como se eu gostasse de rotina.
banal. a palavra ficou banal?
hoje qualquer um é artista.
e, facilmente, diretor de arte.
eu estudo arte. pesquiso.
mas que maior pesquisa se não a d'arte?
a ciência busca soluções e respostas.
a arte fica nessa constante inconstante dúvida.
até por que até onde a arte vai?
do que ela é capaz? do que não é?
acho que não é capaz de lhe dar respostas.
mas resposta é pra cientista.
odeio falar de arte e odeio que me chamem de artista.
e posso parecer arrogante.
mas melhor que parecer artista.
eu sou um estudante, e não vejo quando não serei.
eu estudo arte.
história da arte, crítica, teoria... importante.
mas aí vejo arte em todo e lugar nenhum.
eu não jogo futebol arte.
eu não sou genial e não conheço gênios.
mas o que eu penso pode ser meio assim:
parte da arte
não
parte de mim.
parte do mundo,
e do sim e do
não.
mas parte da arte
parte de mim.
e descobri que assim
parte de todos.
por que cada um tem
sua própria arte.
ou seu conceito,
mas aí é outra história.
a arte se parte.
a arte parte
e deixa saudade.
devo escutar em uma média de 42,7 vezes por dia.
ou pelo menos leio.
e como continuar gostando tanto?
é como se eu gostasse de rotina.
banal. a palavra ficou banal?
hoje qualquer um é artista.
e, facilmente, diretor de arte.
eu estudo arte. pesquiso.
mas que maior pesquisa se não a d'arte?
a ciência busca soluções e respostas.
a arte fica nessa constante inconstante dúvida.
até por que até onde a arte vai?
do que ela é capaz? do que não é?
acho que não é capaz de lhe dar respostas.
mas resposta é pra cientista.
odeio falar de arte e odeio que me chamem de artista.
e posso parecer arrogante.
mas melhor que parecer artista.
eu sou um estudante, e não vejo quando não serei.
eu estudo arte.
história da arte, crítica, teoria... importante.
mas aí vejo arte em todo e lugar nenhum.
eu não jogo futebol arte.
eu não sou genial e não conheço gênios.
mas o que eu penso pode ser meio assim:
parte da arte
não
parte de mim.
parte do mundo,
e do sim e do
não.
mas parte da arte
parte de mim.
e descobri que assim
parte de todos.
por que cada um tem
sua própria arte.
ou seu conceito,
mas aí é outra história.
a arte se parte.
a arte parte
e deixa saudade.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Enquanto transpirava ácido, impregnava todo o cômodo (durante a noite toda) com psicodelia. Pensou em tentar o vôo. Desistiu. Sentia ser a própria alucinação do Mundo. E sentia ser um sonífero para um deus que já dorme. Então, entoando mantras sabia que deveria sentir o ar puro enforcá-lo. Mas não enquanto ser -nem um ser é insignificante em sua própria existência- mas enquanto pensamento. Porque pensar é como derreter o Mundo. Deve ter pensado nisso enquanto sonhava... Entrando, assim, em guerra com suas idéias. Noutro dia, sentado sobre os tentáculos petrificados que brotam da terra, pode ter quase certeza que está conectado. Não se trata de conforto ou de confronto. Mas de sentir-se acariciado pelo vento. Como se Deus fosse o carinho do vento. Não o "Carinha do Céu". O carinha do céu é o Sol, que agora não o vê, ou sente, mas aceita a sua existência.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
dormente
bom dia, eu acordo cedo e exijo me apresentar,
embora você sempre tenha me conhecido.
eu sou um dia excessivamente nítido.
inexisto em três dimensões mas,
insistentemente ainda sou nomeado.
sou simplista e simplesmente existo.
não sou circular, sou circulável.
sou operante e comandante.
eu fui o atraso e serei adiantado, adiante.
não sou divindade, mas uma espécie de santo.
não tenho carteira de motorista, nem identidade.
sou a certidão de nascimento, sou a certeza infinita.
sou um sacerdote de sacrifícios.
sou tudo que é absurdamente notável, mas discreto.
calculista e dominante. sou a ordem e o progresso.
sou a paz bélica e sou a navalha do malandro.
sou o abrigo da cor e, silenciosamente,
estou dormente e adormecido.
embora você sempre tenha me conhecido.
eu sou um dia excessivamente nítido.
inexisto em três dimensões mas,
insistentemente ainda sou nomeado.
sou simplista e simplesmente existo.
não sou circular, sou circulável.
sou operante e comandante.
eu fui o atraso e serei adiantado, adiante.
não sou divindade, mas uma espécie de santo.
não tenho carteira de motorista, nem identidade.
sou a certidão de nascimento, sou a certeza infinita.
sou um sacerdote de sacrifícios.
sou tudo que é absurdamente notável, mas discreto.
calculista e dominante. sou a ordem e o progresso.
sou a paz bélica e sou a navalha do malandro.
sou o abrigo da cor e, silenciosamente,
estou dormente e adormecido.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
demagogia egocêntrica.
sou da psicodelia,
sou da subversão,
sou da boêmia,
sou da alucinação,
sou da vida,
sou da loucura.
sou com.
sou de ninguém,
sou da saudade,
sou da praia,
sou alguém,
sou som.
sou inútil,
incapaz,
inerte, incerto,
inominável,
abominável,
indiscreto.
sou da subversão,
sou da boêmia,
sou da alucinação,
sou da vida,
sou da loucura.
sou com.
sou de ninguém,
sou da saudade,
sou da praia,
sou alguém,
sou som.
sou inútil,
incapaz,
inerte, incerto,
inominável,
abominável,
indiscreto.
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