quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Sumiço

não adianta me julgar
eu já sou meu carrasco
sem medo de guilhotinar
minha cabeça tão presa
a um corpo tão inerte.
libertar os seres voadores,
os revolucionários de mesa.
sou minha viúva feliz
jogando ao túmulo flores
e cigarros baratos.
sou o fim do desespero
claro, dos meus atos.
camisa xadrez desabotoada.
sou a cor desbotada
de mais uma despedida.
a saudade não se altera.
sou o soluço.
sou o sumiço.
era.

3 comentários:

Aqui na Terra tão ditando o popular disse...

acho dignííssimo.

Thaís Cunha disse...

sabe qual é o legal de escrever poemas?
a gente pode morrer quantas vezes quiser, principalmente nessa cidade morta.
acho que já tinha lido esse e já tinha gostado antes. continuo gostando.
beijo

Anônimo disse...

esse poema é lindo.

Quem sou eu