janela de madeira e alguém para abri-la, jorrando luz na casa velha.
antigos móveis queimados, ferro enferrujado e cheiro de podre.
o cinza que tudo cobre, o lunático na casa e a luz invasora, refletora.
é o recado que não foi dado e o sussuro que não foi ouvido.
o pote cheio de nada e vários insetos morrendo no chão de rugidos.
o lar desabrigado em si mesmo, perdeu o telhado e a cor.
uma casa que já se encheu de dor e de amor
hoje é cheia de luz, pó e um novo velho morador.
barba longa e branca e um rosto deformado pela vida.
de calça marrom e camisa branca encardida e sapatos.
sentado numa cadeira de balanço rodeada por ratos.
a casa não é grande, não é segura, não é longe.
abriga sonhos e sonhadores, medos e medrosos.
a chuva cai mansa lá fora, e goteira não se esconde.
a casa molhada parece que chora.
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2 comentários:
a casa é a única coisa que resta bem como a beleza que passou por dentro e por fora, mas tá ali abrigando alguém dessa média populacional interna.
um texto em ritmo de trailer da vida
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