domingo, 17 de agosto de 2008

arte é a palavra que eu mais ouço.
devo escutar em uma média de 42,7 vezes por dia.
ou pelo menos leio.
e como continuar gostando tanto?
é como se eu gostasse de rotina.
banal. a palavra ficou banal?
hoje qualquer um é artista.
e, facilmente, diretor de arte.
eu estudo arte. pesquiso.
mas que maior pesquisa se não a d'arte?
a ciência busca soluções e respostas.
a arte fica nessa constante inconstante dúvida.
até por que até onde a arte vai?
do que ela é capaz? do que não é?
acho que não é capaz de lhe dar respostas.
mas resposta é pra cientista.
odeio falar de arte e odeio que me chamem de artista.
e posso parecer arrogante.
mas melhor que parecer artista.
eu sou um estudante, e não vejo quando não serei.
eu estudo arte.
história da arte, crítica, teoria... importante.
mas aí vejo arte em todo e lugar nenhum.
eu não jogo futebol arte.
eu não sou genial e não conheço gênios.
mas o que eu penso pode ser meio assim:

parte da arte
não
parte de mim.
parte do mundo,
e do sim e do
não.
mas parte da arte
parte de mim.
e descobri que assim
parte de todos.
por que cada um tem
sua própria arte.
ou seu conceito,
mas aí é outra história.

a arte se parte.
a arte parte
e deixa saudade.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Enquanto transpirava ácido, impregnava todo o cômodo (durante a noite toda) com psicodelia. Pensou em tentar o vôo. Desistiu. Sentia ser a própria alucinação do Mundo. E sentia ser um sonífero para um deus que já dorme. Então, entoando mantras sabia que deveria sentir o ar puro enforcá-lo. Mas não enquanto ser -nem um ser é insignificante em sua própria existência- mas enquanto pensamento. Porque pensar é como derreter o Mundo. Deve ter pensado nisso enquanto sonhava... Entrando, assim, em guerra com suas idéias. Noutro dia, sentado sobre os tentáculos petrificados que brotam da terra, pode ter quase certeza que está conectado. Não se trata de conforto ou de confronto. Mas de sentir-se acariciado pelo vento. Como se Deus fosse o carinho do vento. Não o "Carinha do Céu". O carinha do céu é o Sol, que agora não o vê, ou sente, mas aceita a sua existência.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

dormente

bom dia, eu acordo cedo e exijo me apresentar,
embora você sempre tenha me conhecido.
eu sou um dia excessivamente nítido.
inexisto em três dimensões mas,
insistentemente ainda sou nomeado.
sou simplista e simplesmente existo.
não sou circular, sou circulável.
sou operante e comandante.
eu fui o atraso e serei adiantado, adiante.
não sou divindade, mas uma espécie de santo.
não tenho carteira de motorista, nem identidade.
sou a certidão de nascimento, sou a certeza infinita.
sou um sacerdote de sacrifícios.
sou tudo que é absurdamente notável, mas discreto.
calculista e dominante. sou a ordem e o progresso.
sou a paz bélica e sou a navalha do malandro.
sou o abrigo da cor e, silenciosamente,
estou dormente e adormecido.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

demagogia egocêntrica.

sou da psicodelia,
sou da subversão,
sou da boêmia,
sou da alucinação,
sou da vida,
sou da loucura.
sou com.
sou de ninguém,
sou da saudade,
sou da praia,
sou alguém,
sou som.
sou inútil,
incapaz,
inerte, incerto,
inominável,
abominável,
indiscreto.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

fotógrafo fotofóbico -parte 2

jornalista e jornaleiro nunca saberão
toda a apoteose hipotética de viver
do fotógrafo,
acabara se revelando em vão.
maneirista e maconheiro,
elitista e grande grileiro,
o fotógrafo:
desobstrui o obturador
que então, queima a ação
-queima congelando, então-
e sente ser e obter a dor.
máquina maquiavélica,
câmara de lentes e entes,
câmera de dentes e sabor.
o fotógrafo: fobia de existir.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

o despovoador.

propriedade privada:
descarga em fluxo de
movimento despovoador
de neurônios, anônimos.
experimentar a cada
fantasma neural, de dor,
de ser, desejar, a tal
ponto de co-existir
com o problema-saudade.
dor é solução de aviso,
solução via-oral,
tristeza veio em riso.
despovoarei meu excesso,
o excesso de presença
no deserto do seu riso.
mesmo sem bilheteria
haveria de ser projetado
em cada buraco, odiado,
expulsado, rejeitado,
operado e operador,
imperador e imperado,
como em cena queimada,
como em corpo sem órgãos,
os buracos inoperantes e
inoperáveis: os olhos.
olhos grandes, de mulher,
pra ser sucesso de qualquer
bilheteria, e você saberia:
quero colocá-la junto
da minha histeria.

sábado, 7 de junho de 2008

fotógrafo fotofóbico -parte 1

liqüidificador liqüifazendo um
másculo músculo pulsante:
feito falecido, sem falácia,
o fotógrafo fotofóbico.
com ação, seu coração é
bebida servida, sem vida
numa festa junina.
por menos do que vemos:
um quinhão, o quentão
misturado ao triturado coração
do torturado, fotografado,
fotógrafo fotofóbico.

Quem sou eu