quarta-feira, 12 de março de 2008

para o medo.

que adianto é escrever quando o espírito não conduz(?).
olhos de vidro bem fechados e muito amedrontados
talvez por chorar sangue humano e ter fobia à luz.
eu quero um contato imediato, não mais esperar:
você e seus cansaços vagos e desejos de sonhar.
as palavras já não me oferecem segurança e
tampouco me expressam, as gritarias aquecem.
nada tão medonho como um par de medrosos,
que amam, discutem, mandam cartas e esquecem.
nada tão entediante como viver no mundo que outrora
pertencia ao romantismo: e querer viver, temendo morrer.
mas meus amigos admiram o poente e lhe fazem poesias.
enquanto eu não vivo a aurora e nem tenho medo de morrer.
a minha salvação eu procuro no final de cada café, na borra.
não o meu destino-que já conheço- mas um esboço de sorriso.
piso num cigarro aceso: conta uns passos, bebe e morre: porra.

4 comentários:

Thaís Cunha disse...

"ama, bebe e cala. o mais é nada"

Pessoa.

passado disse...

e não são os cigarros que matam, mas a necessidade deles.
e quando o café acaba, quando a xícara onde a borra estava é limpa, nem tudo se finda: sobram os dentes.
amarelos.

Unknown disse...

pausado e conciso.

Anônimo disse...

"mas meus amigos admiram o poente e lhe fazem poesias. enquanto eu não vivo a aurora e nem tenho medo de morrer.". eu também passo por isso. valeu por expressar. é quase o desespero do tédio. porra!

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