"puta que pariu!"
grito na região frontal da faculdade de direito.
por conta de uma dor insuportável
que culminou no leito da minha criatividade
(perto da região frontal do dedo do pé direito)
derramo o café do copo descartável.
mais tarde acenderia o cigarro picado.
mas ainda me preocupara com o ardor da dor.
em seguida me lembro do problema
que me causaria um novo emblema:
sou alergico a abelhas e fui picado.
paralizado, paranóico, pela natureza
pela verdade, pela doença, por enganação,
mas você tem certeza?
o céu de brasília não é bonito e esparrado.
o céu de brasília é irônico.
hipnotizando a todos em brincadeiras.
rindo da desgraça alheia, escarrado
e bonito:
o homem polifônico matou seus amigos:
todos morrendo de rir, todos besteiras.
(abraça a mulher, ela o afasta e o bate:
com cara de descrença e desconfiança)
grita:
-você é uma criança!
-eu preciso de você!
-precisa de infância! ou infanticídio!
(sai de cena, em prantos.)
escritos:
quarta-feira, 9 de abril de 2008
sexta-feira, 4 de abril de 2008
naquela noite, comportara-se bem
choveu olhares discretos
em todos os desavisados convidados.
mas procurava algum alguem.
já o decepcionara antes e
arrependia-se, mas nem tanto.
precisava de sexo,
era homem, portanto.
com avisadas escapadas
se dirigia para outro canto
chover pó branco sobre
um encantado convidado.
naquela noite não chovia,
mas tinha saudade.
e que noite não tinha?
há meses que não a via.
e o copo recheado de
um líquido castanho
havia de confirmar:
estava estranho
mas os desavisados
convidados, à mesa,
se divertiam, riam.
mas algum alguém
também o via e tão bem
bebia do mesmo
cheiroso líquido.
e a diversão começa,
tarde, duas pessoas
sem pressa.
além dos beijos de praxe,
uns arranhões e tapas,
mas tudo no mais perfeito
encaixe.
choveu olhares discretos
em todos os desavisados convidados.
mas procurava algum alguem.
já o decepcionara antes e
arrependia-se, mas nem tanto.
precisava de sexo,
era homem, portanto.
com avisadas escapadas
se dirigia para outro canto
chover pó branco sobre
um encantado convidado.
naquela noite não chovia,
mas tinha saudade.
e que noite não tinha?
há meses que não a via.
e o copo recheado de
um líquido castanho
havia de confirmar:
estava estranho
mas os desavisados
convidados, à mesa,
se divertiam, riam.
mas algum alguém
também o via e tão bem
bebia do mesmo
cheiroso líquido.
e a diversão começa,
tarde, duas pessoas
sem pressa.
além dos beijos de praxe,
uns arranhões e tapas,
mas tudo no mais perfeito
encaixe.
sábado, 29 de março de 2008
metade vazio
no dia seguinte você fica meio triste.
mas acho que nem é bem isso...
vamos dizer que você fica meio vazio.
e nada disso
de meio cheio.
o vazio não é uma idéia minha.
é minha idéia de vazio que é
uma idéia minha, creio.
irei pretextar que tudo que
preciso é apenas testar.
testar para fins experimentais.
por que a experimentação
é o caminho.
mas há uma bifurcação.
pode ser o caminho da
felicidade ou da frustração.
mas a metade amputada
continua sempre a ser lembrada.
a esperança da experiência é bela.
e tem todo um ritmo desgastante
um ritmo pedante e desconcentrado.
o meu vazio está longe de ter ritmo
o meu vazio é morto
o meu vazio é seco
o meu vazio é forte
o meu vazio é torto
o meu vazio é sorte
o meu vazio está solto.
mas acho que nem é bem isso...
vamos dizer que você fica meio vazio.
e nada disso
de meio cheio.
o vazio não é uma idéia minha.
é minha idéia de vazio que é
uma idéia minha, creio.
irei pretextar que tudo que
preciso é apenas testar.
testar para fins experimentais.
por que a experimentação
é o caminho.
mas há uma bifurcação.
pode ser o caminho da
felicidade ou da frustração.
mas a metade amputada
continua sempre a ser lembrada.
a esperança da experiência é bela.
e tem todo um ritmo desgastante
um ritmo pedante e desconcentrado.
o meu vazio está longe de ter ritmo
o meu vazio é morto
o meu vazio é seco
o meu vazio é forte
o meu vazio é torto
o meu vazio é sorte
o meu vazio está solto.
segunda-feira, 17 de março de 2008
balé
começa com uma briga: elogios de pontapé, medíocres intrigas, risadas nervosas, sem dentes, olho roxo. quase como fosse um balé! tudo vai muito bem, pelo menos até aí... remete ao seu impulso uma navalha em riste, logo a frente do pulso. punho fechado: a lâmina vai com sede para o ventre. abre um corte de morte sangue. número de órgãos em liberdade, grito engasgado em vergonha. vamos chamar o ato de maternidade. não é um nascimento, é morte mesmo. mas quando a mãe o faz com o filho, é diferente. é a tensão criadora. é como se o criador quisesse tirar o que, anos antes havia dado: a vida. e não que isso me incomode,vida, palavrinha medíocre, pode ficar! jogue de um carro em movimento, sei lá. talvez a vida seja isso, penso: um balé de navalhas.
prefiro não te chamar mais de mãe. prefiro nem te chamar mais. prefiro pegar um navio de passagem, pra qualquer lugar, prefiro, profiro. prometo então só voltar pro enterro. prometo ser um bom menino e só usar drogas daquelas que fazem a família te deserdar. enterro promessa erro. uma máquina de drogar corações e criações. um desejo de deserdar navalhas. um ser que ainda tem que aturar ironias. ironias do balé medíocre.
prefiro não te chamar mais de mãe. prefiro nem te chamar mais. prefiro pegar um navio de passagem, pra qualquer lugar, prefiro, profiro. prometo então só voltar pro enterro. prometo ser um bom menino e só usar drogas daquelas que fazem a família te deserdar. enterro promessa erro. uma máquina de drogar corações e criações. um desejo de deserdar navalhas. um ser que ainda tem que aturar ironias. ironias do balé medíocre.
quarta-feira, 12 de março de 2008
para o medo.
que adianto é escrever quando o espírito não conduz(?).
olhos de vidro bem fechados e muito amedrontados
talvez por chorar sangue humano e ter fobia à luz.
eu quero um contato imediato, não mais esperar:
você e seus cansaços vagos e desejos de sonhar.
as palavras já não me oferecem segurança e
tampouco me expressam, as gritarias aquecem.
nada tão medonho como um par de medrosos,
que amam, discutem, mandam cartas e esquecem.
nada tão entediante como viver no mundo que outrora
pertencia ao romantismo: e querer viver, temendo morrer.
mas meus amigos admiram o poente e lhe fazem poesias.
enquanto eu não vivo a aurora e nem tenho medo de morrer.
a minha salvação eu procuro no final de cada café, na borra.
não o meu destino-que já conheço- mas um esboço de sorriso.
piso num cigarro aceso: conta uns passos, bebe e morre: porra.
olhos de vidro bem fechados e muito amedrontados
talvez por chorar sangue humano e ter fobia à luz.
eu quero um contato imediato, não mais esperar:
você e seus cansaços vagos e desejos de sonhar.
as palavras já não me oferecem segurança e
tampouco me expressam, as gritarias aquecem.
nada tão medonho como um par de medrosos,
que amam, discutem, mandam cartas e esquecem.
nada tão entediante como viver no mundo que outrora
pertencia ao romantismo: e querer viver, temendo morrer.
mas meus amigos admiram o poente e lhe fazem poesias.
enquanto eu não vivo a aurora e nem tenho medo de morrer.
a minha salvação eu procuro no final de cada café, na borra.
não o meu destino-que já conheço- mas um esboço de sorriso.
piso num cigarro aceso: conta uns passos, bebe e morre: porra.
quinta-feira, 6 de março de 2008
interminado/interminável
nem toda a tinta do mundo vai te salvar.
você pode pegar suas bibliotecas e partir.
pare com a auto-sabotagem e esconderijos,
perigosos esconderijos da malandragem.
uma redoma de páginas manchadas de sangue
e decoradas com mofo. fungomegalomania.
perdidos em risos e rimas criminosas:
viagem desconhecida de volta da libertinagem.
cadáveres de homens outrora, afáveis.
se cartola mentiu, silenciarei às rosas.
perder o rancor do temor de cair do abismo.
a partir do exato fato que, chato, me empurrou.
você pode se jogar de um prédio em chamas...
e se o prédio não estiver em chamas, ateie.
na sua moda muda, terá teia, fãs e famas.
mas não se engane ou acredite em verdades:
os olhos dos que te amam, não te amam, te olham.
não espere que os olhos sejam mais calorosos.
dos olhos, espere que sejam apenas mais olhos:
e outras rimas de criminosos.
você pode pegar suas bibliotecas e partir.
pare com a auto-sabotagem e esconderijos,
perigosos esconderijos da malandragem.
uma redoma de páginas manchadas de sangue
e decoradas com mofo. fungomegalomania.
perdidos em risos e rimas criminosas:
viagem desconhecida de volta da libertinagem.
cadáveres de homens outrora, afáveis.
se cartola mentiu, silenciarei às rosas.
perder o rancor do temor de cair do abismo.
a partir do exato fato que, chato, me empurrou.
você pode se jogar de um prédio em chamas...
e se o prédio não estiver em chamas, ateie.
na sua moda muda, terá teia, fãs e famas.
mas não se engane ou acredite em verdades:
os olhos dos que te amam, não te amam, te olham.
não espere que os olhos sejam mais calorosos.
dos olhos, espere que sejam apenas mais olhos:
e outras rimas de criminosos.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
carnaval
penso, logo hesito.
logo existo e penso
se hesito em pensar.
aflorear em ponta
de ferrão mais cego
que perdido em tiroteio.
vem masturbar meu ego
e então praticaremos
o canibalismo colorido:
comer a outros em festas.
festas coloridas
(frigoríficas)
repletas de pessoas
em coma e comendo-se.
pois já se sabe:
pessoas festejam carne.
comer pessoas é o que há!
canibalismo, carnavalismo,
carnificina:
o importante é a carne
(mental ou dorsal), coma.
o que hesito em pensar
independe de lugar
-enquanto se alugar-
incompreende o suar
acomete o interminável
perecível sangrar.
a mais nova geração:
cresce em cheque-mate
desentendendo a carne
atordoada de drogas
e vive uma felicidade
corrompida.
mas feliz.
logo existo e penso
se hesito em pensar.
aflorear em ponta
de ferrão mais cego
que perdido em tiroteio.
vem masturbar meu ego
e então praticaremos
o canibalismo colorido:
comer a outros em festas.
festas coloridas
(frigoríficas)
repletas de pessoas
em coma e comendo-se.
pois já se sabe:
pessoas festejam carne.
comer pessoas é o que há!
canibalismo, carnavalismo,
carnificina:
o importante é a carne
(mental ou dorsal), coma.
o que hesito em pensar
independe de lugar
-enquanto se alugar-
incompreende o suar
acomete o interminável
perecível sangrar.
a mais nova geração:
cresce em cheque-mate
desentendendo a carne
atordoada de drogas
e vive uma felicidade
corrompida.
mas feliz.
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