sobre a festa da carne,
sobra o cansaço e dor.
dor dos olhos à carne.
sobre a mesa, a tevê.
sobrando na Sapucaí
sobre-humanos sambam.
sambam até cair
sobre o carnaval,
sobre o túmulo do sambista,
sobre o salto da passista,
sobre o mal.
sobra no fim da festa
confetes, serpentinas,
lixo, suor, lágrimas...
e tudo o que resta.
o desengano carnavalesco
o delírio, o sufoco e o desejo.
sobre a terça-feira,
cobre um céu cinza.
sobre a quarta-feira,
cai a chuva fina e cinza.
papo seu já tá de manhã.
sobre hoje, anteontem
e sabe-se-lá do amanhã.
sobram máscaras
sobre as pessoas.
escritos:
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
emergiu do papel como se de lá pertencesse:
a tinta preta borbulhando em linhas tortuosas.
gostosas sensações perpassando as retinas.
fugiria do olhar tudo que alguém percebesse.
qual é a média populacional daqui de dentro?
são tantos os que querem e tantos que temem.
e de onde vem todo esse vento?
são formas que formam pessoas e pessoas erram.
o que desliga e liga cada um dos pensamentos?
é impressionante como sempre tenho o que pensar.
mas nem sempre tenho o que dizer.
quer dizer, dizer pra fora.
aqui dentro tem sempre prosa.
mas eu sinto falta de conversar com você,
que entende a maioria dos pensamentos.
e, às vezes, solta uma risada gostosa
de alguma piada ou outra coisa engraçada.
faz falta. na minha população interna, você falta.
e a tinta escorre desorientada.
a tinta preta borbulhando em linhas tortuosas.
gostosas sensações perpassando as retinas.
fugiria do olhar tudo que alguém percebesse.
qual é a média populacional daqui de dentro?
são tantos os que querem e tantos que temem.
e de onde vem todo esse vento?
são formas que formam pessoas e pessoas erram.
o que desliga e liga cada um dos pensamentos?
é impressionante como sempre tenho o que pensar.
mas nem sempre tenho o que dizer.
quer dizer, dizer pra fora.
aqui dentro tem sempre prosa.
mas eu sinto falta de conversar com você,
que entende a maioria dos pensamentos.
e, às vezes, solta uma risada gostosa
de alguma piada ou outra coisa engraçada.
faz falta. na minha população interna, você falta.
e a tinta escorre desorientada.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
saudade
arrumar mala, despedir, abraçar e ir.
acenar através do vidro e fingir sorrir.
aviões sobrevoando minha cabeça
como mosquitos que te mordem,
ou que te trazem, ou levam.
uma lanterna no escuro cessa
de procurar você que não está.
acordar, abrir o olho e vazio.
encher um copo d'água e não dividir.
almoçar, sem gosto, com a mesa só.
fumar cigarros e fumaça sem graça.
aqui dentro tudo aperta e tudo dissolve.
o céu derrete e escorre pelo rosto.
o zumbido do silêncio sem gargalhadas.
o buraco que só aumenta no peito.
eu não faço parte de nada
e parte de mim partiu.
acenar através do vidro e fingir sorrir.
aviões sobrevoando minha cabeça
como mosquitos que te mordem,
ou que te trazem, ou levam.
uma lanterna no escuro cessa
de procurar você que não está.
acordar, abrir o olho e vazio.
encher um copo d'água e não dividir.
almoçar, sem gosto, com a mesa só.
fumar cigarros e fumaça sem graça.
aqui dentro tudo aperta e tudo dissolve.
o céu derrete e escorre pelo rosto.
o zumbido do silêncio sem gargalhadas.
o buraco que só aumenta no peito.
eu não faço parte de nada
e parte de mim partiu.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
o apodrecer eterno da natureza e a desconstrução fatal da beleza.
janela de madeira e alguém para abri-la, jorrando luz na casa velha.
antigos móveis queimados, ferro enferrujado e cheiro de podre.
o cinza que tudo cobre, o lunático na casa e a luz invasora, refletora.
é o recado que não foi dado e o sussuro que não foi ouvido.
o pote cheio de nada e vários insetos morrendo no chão de rugidos.
o lar desabrigado em si mesmo, perdeu o telhado e a cor.
uma casa que já se encheu de dor e de amor
hoje é cheia de luz, pó e um novo velho morador.
barba longa e branca e um rosto deformado pela vida.
de calça marrom e camisa branca encardida e sapatos.
sentado numa cadeira de balanço rodeada por ratos.
a casa não é grande, não é segura, não é longe.
abriga sonhos e sonhadores, medos e medrosos.
a chuva cai mansa lá fora, e goteira não se esconde.
a casa molhada parece que chora.
antigos móveis queimados, ferro enferrujado e cheiro de podre.
o cinza que tudo cobre, o lunático na casa e a luz invasora, refletora.
é o recado que não foi dado e o sussuro que não foi ouvido.
o pote cheio de nada e vários insetos morrendo no chão de rugidos.
o lar desabrigado em si mesmo, perdeu o telhado e a cor.
uma casa que já se encheu de dor e de amor
hoje é cheia de luz, pó e um novo velho morador.
barba longa e branca e um rosto deformado pela vida.
de calça marrom e camisa branca encardida e sapatos.
sentado numa cadeira de balanço rodeada por ratos.
a casa não é grande, não é segura, não é longe.
abriga sonhos e sonhadores, medos e medrosos.
a chuva cai mansa lá fora, e goteira não se esconde.
a casa molhada parece que chora.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
um brinde de chorume
ruídos de maquinaria ao fundo.
ciclo reciclador de tudo que é reciclável.
plástico, alumínio, papel e tudo.
carregados por um agente social
-diríamos indispensável-
negligenciado como lixo.
imagina viver como o bicho
("o bicho, meu deus, era um homem!")
se todos os que hoje catam lixo
simplesmente somem.
viver no lixo, você não iria.
o lixo é luxoso demais para os da sua laia.
viver como um bicho, eu riria.
fugiria do laboratório como um rato cobaia!
aliás, quem foi que disse que a vida
era uma piada sem graça?
esse aí devia saber o tamanho da desgraça.
pilha de lixo como pilha de gente
para o primeiro genocídio do século XXI!
aê, um brinde de champanhe roubado!
puta que pariu, você não ouviu falar de Darfur?
aquela região no Sudão, África? desinformado.
pois é, morre muita gente lá.
e enfim, negligenciados os mortos de Darfur,
negligenciados os catadores de lixo do mundo,
pra onde vai toda a nossa sujeira?
ciclo reciclador de tudo que é reciclável.
plástico, alumínio, papel e tudo.
carregados por um agente social
-diríamos indispensável-
negligenciado como lixo.
imagina viver como o bicho
("o bicho, meu deus, era um homem!")
se todos os que hoje catam lixo
simplesmente somem.
viver no lixo, você não iria.
o lixo é luxoso demais para os da sua laia.
viver como um bicho, eu riria.
fugiria do laboratório como um rato cobaia!
aliás, quem foi que disse que a vida
era uma piada sem graça?
esse aí devia saber o tamanho da desgraça.
pilha de lixo como pilha de gente
para o primeiro genocídio do século XXI!
aê, um brinde de champanhe roubado!
puta que pariu, você não ouviu falar de Darfur?
aquela região no Sudão, África? desinformado.
pois é, morre muita gente lá.
e enfim, negligenciados os mortos de Darfur,
negligenciados os catadores de lixo do mundo,
pra onde vai toda a nossa sujeira?
terça-feira, 11 de novembro de 2008
ensaio
vamos então ao que interessa:
a problema da linguagem
e a liguagem do problema.
capital é investido às pessoas
(agora chamadas de organizadoras)
pequena parte para as outras
(agora chamadas criadoras)
mas a criação é meramente ilustrativa.
(melhor, chamada criativa.)
o problema é basear a criação
numa então chamada "cultura de massas"
meramente inspirada em instituições
que possuem o capital inicial
(não a chamada banda).
pois bem, a pirâmide invertida
da cadeia alimentar
(a cadeia, prisão, chamada criação)
entrará, em breve em colapso.
o inevitável declínio.
sem sustentação emocional,
estética e/ou criativa, caos.
mas é óbvio que a obviedade
não é exatamente essa.
(tudo menos o óbvio)
o que chamaremos de mercado,
mercado de mentes, ou idéias,
controla em um mundo de ignorantes,
pessoas fisgadas por um anzol de diamantes.
dias, mentes, dólar, colar, fisgar entre dentes.
(nevermind, nirvana, never forget)
mas não nos desviemos do foco.
o oriente, em sua superpopulação
de superconsumidores superdesorientados
compram e produzem superprodutos,
transformando-se assim em superpotências!
super... agora, seguinte: produção criativa
que não se esgota, não se endivida, é dividida
enfim, consumida.
paga-se ao organizador ou ao criador?
a criação é o maior pagamento do criador?
o criador é o maior pagamento do organizador?
o orgasmo é o maior pagamento do sexo?
eu não estou sendo pago nem estou pagando.
quer dizer, todo mundo paga pra viver.
eu queria viver de luz, e ser uma árvore,
e não pagar nada além de ficar parada....
quero uma parede e um vazio.
mas o vazio do buraco do prego,
então recheado de metal e, finalmente,
sustentando uma pintura qualquer,
mas que foi pensada, imaginada,
idealizada, ativada, criativa e criada.
a problema da linguagem
e a liguagem do problema.
capital é investido às pessoas
(agora chamadas de organizadoras)
pequena parte para as outras
(agora chamadas criadoras)
mas a criação é meramente ilustrativa.
(melhor, chamada criativa.)
o problema é basear a criação
numa então chamada "cultura de massas"
meramente inspirada em instituições
que possuem o capital inicial
(não a chamada banda).
pois bem, a pirâmide invertida
da cadeia alimentar
(a cadeia, prisão, chamada criação)
entrará, em breve em colapso.
o inevitável declínio.
sem sustentação emocional,
estética e/ou criativa, caos.
mas é óbvio que a obviedade
não é exatamente essa.
(tudo menos o óbvio)
o que chamaremos de mercado,
mercado de mentes, ou idéias,
controla em um mundo de ignorantes,
pessoas fisgadas por um anzol de diamantes.
dias, mentes, dólar, colar, fisgar entre dentes.
(nevermind, nirvana, never forget)
mas não nos desviemos do foco.
o oriente, em sua superpopulação
de superconsumidores superdesorientados
compram e produzem superprodutos,
transformando-se assim em superpotências!
super... agora, seguinte: produção criativa
que não se esgota, não se endivida, é dividida
enfim, consumida.
paga-se ao organizador ou ao criador?
a criação é o maior pagamento do criador?
o criador é o maior pagamento do organizador?
o orgasmo é o maior pagamento do sexo?
eu não estou sendo pago nem estou pagando.
quer dizer, todo mundo paga pra viver.
eu queria viver de luz, e ser uma árvore,
e não pagar nada além de ficar parada....
quero uma parede e um vazio.
mas o vazio do buraco do prego,
então recheado de metal e, finalmente,
sustentando uma pintura qualquer,
mas que foi pensada, imaginada,
idealizada, ativada, criativa e criada.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
o segurança do condomínio passa e o meu cachorro desconfiado late.
um grilo emite um som ritmado e irritante. bebi leite com chocolate.
a confusão cotidiana contudida claustrofóbica corrompedora de mente
um órgão novo: celular telepático radiotivo de aparelhagem aparente.
cibelle em voz suave e ruídos destorcidos pede pra não ser comida.
sua voz suave suavidade sua gravidade sua vez sua voz suave,
o sabonete líquido patético pede pra ser sentido. letras sem vida.
sua presença se liquefez na minha retina cristalina derretida...
como o rugido voraz da turbina do avião que arranha grave.
a visão previsão profusão determina o que escorre pelas paredes e
o rubor escarlate do líquido pulsado pelos vasos oculares ocultados.
a cidade não se lembra de mim, mas eu conheço e fiz cada caminho
eu conheço esse ser nefasto que não me conhece. sem ovos no ninho.
então, tudo que poder ser sentido pode ser um sentido alucinado.
é possível então a cidade ser apenas uma alucinação que eu vivo
ou eu posso ser uma alucinação da cidade, mas que ela ainda não sentiu.
um grilo emite um som ritmado e irritante. bebi leite com chocolate.
a confusão cotidiana contudida claustrofóbica corrompedora de mente
um órgão novo: celular telepático radiotivo de aparelhagem aparente.
cibelle em voz suave e ruídos destorcidos pede pra não ser comida.
sua voz suave suavidade sua gravidade sua vez sua voz suave,
o sabonete líquido patético pede pra ser sentido. letras sem vida.
sua presença se liquefez na minha retina cristalina derretida...
como o rugido voraz da turbina do avião que arranha grave.
a visão previsão profusão determina o que escorre pelas paredes e
o rubor escarlate do líquido pulsado pelos vasos oculares ocultados.
a cidade não se lembra de mim, mas eu conheço e fiz cada caminho
eu conheço esse ser nefasto que não me conhece. sem ovos no ninho.
então, tudo que poder ser sentido pode ser um sentido alucinado.
é possível então a cidade ser apenas uma alucinação que eu vivo
ou eu posso ser uma alucinação da cidade, mas que ela ainda não sentiu.
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