terça-feira, 29 de dezembro de 2009

as sombras e os vazios

sai como quem sai sem rumo, num mundo em que rumo é o supra sumo da sanidade.
sai como que vai, soturno, comprar anestésicos para alimentar uma ansiedade.
o olhar sai perdido nos cantos que não interessam ninguém. o vazio das coisas.
onde cai o relógio analógico e quebram os ponteiros, sai atrasado para sempre.
logo mais na reta rua sem seta, alerta, desperta e acorda em frente ao céu.
a luz que atravessa todas as nuvens o atravessa e cai esburacando tudo.
a lógica que faziam todas as coisas que possuía era mais um surto surdo.
os passos atravessados e os copos esvaziados, o seu corpo vai sem rumo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

começo de quinta

as partículas de tudo quanto é sujeira pelo ar,
de gente rica gorda fina longe louca gente em
todas as esquinas multi facetadas alertadas
das paranóias e alucinações coletivas.
das batidas de cada balada, da baleada
em buzina, na batida inconcebível.
é tudo muito moralmente correto.
tudo correto moralmente é muito.
de um passo arrastado atras do outro.
numa auto perseguição constante.
olhando pros rostos, nenhum parece com ele.
mapeando cada buraco do trajeto.
trajeto aleatório indo só em frente.
eles não te amam como eu o amo.
as janelas acendem em cores.
cada música e lugar passando.
eles estão loucos.
e eu só me apaixono por loucos.
eu perdi toda a parte que explicava
aquela outra parte que dizia
que eu não gosto mais de você.
eu faltei uma aula e aprendi
a não me resolver.

domingo, 12 de julho de 2009

depois eu continuo.

espremeu o gatilho de manhã cedo.
hoje teria chumbo, ao invés de café.
já havia atirado outras vezes, claro.
mas essa foi a primeira em novo alvo.
e foi também a última, mirando no céu
da própria boca. difícil até de errar...
a última noite de ronda foi a pior:
tirou a vida de vários desconhecidos,
acumulou mais juras de morte
-que pagou com o próprio calibre 38-,
devia dinheiro, devido ao vício.
sabia que era humano, só não queria mais ser.

e agora sua trajetória fúnebre começa,
logo que pinta a parede do corredor,
causando choque aos moradores.
ninguém quer ver tanto vermelho
na parede de casa, logo tão cedo do dia..

sábado, 27 de junho de 2009

ironicamente sorriu para o desenho que fez.
desenhou morte e desenhou flores. distração.
perdeu horas rabiscando, rasgando, pensando.
nunca muito interessado no desenho. atenção:
é intangível um sorriso sincero, sem máscaras.
incomodava que não soubesse desenhar sorrisos.
fosse este o motivo por não sorrir mais?
uma chamada não atendida e o que é a vida?
ainda decorado vários números que não liga.
desenhando vários personagens que, sei lá,
chamaria de amigos. e os trataria igualmente.
rabiscando usou de várias cores, irracionalmente.
sua mente já desbotou e agora é monocromática.
bactérias e genocídios, formas e deformações.
televisores caindo dos céus e buquês de flores.
nenhum dos amigos tem olho, apesar de assistirem.
bando de urubus carniceiros e um corpo estatelado.
não devia passar tanto tempo desenhando e escrevendo.
cada vez mais, sua mente vai escurecendo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

começo.

acabou o esperar por você.
espero que acabe o sofrer.
acabou um longo reinado.
e pensar em tudo que não foi
é pensar só que acabou.
a saudade não acaba,
parece que não se esgotou
de tentar acabar comigo.
fique com os meus retratos
e me perdoe os maus tratos.
lembre-se de levar consigo
o que eu te bem fiz.
as pessoas acabam
por acabar com outras.
eu bem que te quis.
acabei descobrindo que você não.
acabou a falta de solução.
acabei meio infeliz.
é preciso acabar um dia
pra começar uma noite,
acabar e nascer outro dia.
e isso eu quero assistir.
ir por aí, andar até me encontrar.
já dizia o mestre Cartola.
nesses dias tristes, a passar,
nem minha cabeça cantarola...
acabei de sair,
mas já começo a andar.

quinta-feira, 12 de março de 2009

4

uma forte dor de cabeça
em um longo bocejo....
um globo ocular que aqueça
e queime tudo que eu vejo.

sábado, 7 de março de 2009

longe

entretido no emaranhado de confusões.
um colapso no compasso da melodia.
remar nos revoltos mares das desilusões.
caminhar sozinho só pra pensar no dia.
pertencer ao longo percurso tomado.
atalhos de retalhos de corpos em afasia.
tá chegando? infância reprimida.
tá faltando? a pessoa deprimida.
o eterno descansar da ciência de nunca chegar.
diferente do kamikaze japonês adolescente:
"viver é mais pesado que uma montanha,
morrer é mais leve que uma pluma."
cultura não pode ser qualquer uma.
e todo mundo tem o seu momento.
foge do alcance.
longe não é distância, é sofrimento.

Quem sou eu