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quarta-feira, 1 de setembro de 2010
pelo menos hoje
ouvi, uma vez, essa expressão referindo-se a mim.
"altamente odiável"
pensei nessa como sendo uma capacidade que tenho.
eu sou memórias e despedidas. sou piadas, atuações e lágrimas.
sou meus amigos.
cada amigo tem um idioma comigo. é o jeito que nos falamos.
isso talvez me faça "altamente amável". ou altamente amante.
amo cada palavra deles para mim. até tchau.
as pessoas estão sempre partindo. parte o coração.
mas, naquele idioma, eles me contam e eu sou fluente.
fluente até no silêncio deles. entendo o adeus.
quem tem que ir, tem que ir. sabe disso e eu sei.
o reencontro sempre chega. com abraço apertado.
meus amigos são onipresentes. um em cada canto.
vida. pelo menos hoje.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
roseira
ele não sabia mais contar historias. ele já soube, mesmo que fossem historias bobas. mas de uns tempos pra cá, não conseguia. por conta da roseira que nasceu em sua máquina de escrever. no início, a roseira só o ajudava a criar historias. a roseira crescia junto com sua criatividade. seus botões floresciam inspiração. mas depois de um tempo, a roseira criou espinhos. e os espinhos sobre as teclas da máquina de escrever machucavam os dedos dele. a roseira tinha nascido no lugar errado. mas agora ele já gostava da roseira, não poderia arriscar tirar a roseira de lá. poderia machucá-la. ele sabia tambem que a tinta da máquina de escrever não fazia bem a roseira. o que ele faz então é colocar um vaso com terra ao lado da máquina. e apenas esperar que as raízes encontrem o caminho para o vaso. ele não sabe mais escrever historias. ele gostava daquela roseira. fim.
terça-feira, 11 de maio de 2010
multiplicidade
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
as sombras e os vazios
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
começo de quinta
de gente rica gorda fina longe louca gente em
todas as esquinas multi facetadas alertadas
das paranóias e alucinações coletivas.
das batidas de cada balada, da baleada
em buzina, na batida inconcebível.
é tudo muito moralmente correto.
tudo correto moralmente é muito.
de um passo arrastado atras do outro.
numa auto perseguição constante.
olhando pros rostos, nenhum parece com ele.
mapeando cada buraco do trajeto.
trajeto aleatório indo só em frente.
eles não te amam como eu o amo.
as janelas acendem em cores.
cada música e lugar passando.
eles estão loucos.
e eu só me apaixono por loucos.
eu perdi toda a parte que explicava
aquela outra parte que dizia
que eu não gosto mais de você.
eu faltei uma aula e aprendi
a não me resolver.
domingo, 12 de julho de 2009
depois eu continuo.
hoje teria chumbo, ao invés de café.
já havia atirado outras vezes, claro.
mas essa foi a primeira em novo alvo.
e foi também a última, mirando no céu
da própria boca. difícil até de errar...
a última noite de ronda foi a pior:
tirou a vida de vários desconhecidos,
acumulou mais juras de morte
-que pagou com o próprio calibre 38-,
devia dinheiro, devido ao vício.
sabia que era humano, só não queria mais ser.
e agora sua trajetória fúnebre começa,
logo que pinta a parede do corredor,
causando choque aos moradores.
ninguém quer ver tanto vermelho
na parede de casa, logo tão cedo do dia..
sábado, 27 de junho de 2009
desenhou morte e desenhou flores. distração.
perdeu horas rabiscando, rasgando, pensando.
nunca muito interessado no desenho. atenção:
é intangível um sorriso sincero, sem máscaras.
incomodava que não soubesse desenhar sorrisos.
fosse este o motivo por não sorrir mais?
uma chamada não atendida e o que é a vida?
ainda decorado vários números que não liga.
desenhando vários personagens que, sei lá,
chamaria de amigos. e os trataria igualmente.
rabiscando usou de várias cores, irracionalmente.
sua mente já desbotou e agora é monocromática.
bactérias e genocídios, formas e deformações.
televisores caindo dos céus e buquês de flores.
nenhum dos amigos tem olho, apesar de assistirem.
bando de urubus carniceiros e um corpo estatelado.
não devia passar tanto tempo desenhando e escrevendo.
cada vez mais, sua mente vai escurecendo.
