começa com uma briga: elogios de pontapé, medíocres intrigas, risadas nervosas, sem dentes, olho roxo. quase como fosse um balé! tudo vai muito bem, pelo menos até aí... remete ao seu impulso uma navalha em riste, logo a frente do pulso. punho fechado: a lâmina vai com sede para o ventre. abre um corte de morte sangue. número de órgãos em liberdade, grito engasgado em vergonha. vamos chamar o ato de maternidade. não é um nascimento, é morte mesmo. mas quando a mãe o faz com o filho, é diferente. é a tensão criadora. é como se o criador quisesse tirar o que, anos antes havia dado: a vida. e não que isso me incomode,vida, palavrinha medíocre, pode ficar! jogue de um carro em movimento, sei lá. talvez a vida seja isso, penso: um balé de navalhas.
prefiro não te chamar mais de mãe. prefiro nem te chamar mais. prefiro pegar um navio de passagem, pra qualquer lugar, prefiro, profiro. prometo então só voltar pro enterro. prometo ser um bom menino e só usar drogas daquelas que fazem a família te deserdar. enterro promessa erro. uma máquina de drogar corações e criações. um desejo de deserdar navalhas. um ser que ainda tem que aturar ironias. ironias do balé medíocre.
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segunda-feira, 17 de março de 2008
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Um comentário:
"A sociedade do espetáculo", Guy Debord é a única solução que eu conheço pra isso. Budismo demora. O preço do espetáculo perfeito é uma energia infinita, e nossa energia não é infinita, mas a sociedade quer um espetáculo perfeito. A crítica ao espetáculo é apenas um número dentro dele mesmo, é parte que o fortalece. Consolação? Eu bebo (com moderação, mas sempre), etc.
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